Eduardo Ferreira
(ferreiraedu@terra.com.br)

2016 - OS JOGOS OLÍMPICOS DO RIO DE JANEIRO

A grande maioria das pessoas leigas em esporte acredita que os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro ainda estão muito longe e que dá tempo para que tudo corra bem e que o Brasil vai obter muitas medalhas. No entanto, os organizadores, dirigentes e atletas com certeza não acham assim. O relógio do tempo já disparou e urge que todos que estarão envolvidos direta ou indiretamente no evento comecem a planejar suas atividades, o quanto antes, dentro de um cronograma para que todas as obras possam ficar prontas e concluídas antes da Cerimônia de Abertura no Estádio do Maracanã. Logo o COI estará no Brasil cobrando as providências!

Organizar os Jogos em 2016 será um grande desafio especialmente para os dirigentes do Comitê Olímpico do Brasil (COB) que terão que vistoriar as obras em andamento, gerenciar os recursos do Governo Federal, acompanhar as visitas periódicas dos membros do Comitê Olímpico Internacional, checar os prazos das providências, cobrar das confederações a preparação das equipes nacionais e mais um mundo de quesitos importantes inerentes aos Jogos.

Os Jogos Pan-Americanos de 2007 foram um grande ensaio e serviram como preparação para a realização dos Jogos Olímpicos em 2016. Os dirigentes do COB tiveram um excelente desempenho e o Pan do Rio certamente proporcionou a confiabilidade necessária para o COI escolher a Cidade Maravilhosa como sede dos Jogos.

Entretanto, sempre é bom chamar a atenção dos nossos dirigentes e atletas para os preparativos, mais especificamente relativos ao nosso esporte – Tiro Esportivo. Certamente o COB deverá estabelecer inicialmente normas, prazos e diretrizes para a elaboração do projeto a ser confeccionado pela CBTE, a exemplo que ocorrerão com todas as modalidades olímpicas visando os Jogos de 2016.

Não podemos esquecer que o Tiro Brasileiro está ausente do podium olímpico desde 1920 e esta será uma grande oportunidade, aqui em nossa casa, de se conquistar uma medalha. É o que todos brasileiros esperam e torcem pela vitória dos nossos atiradores.

Lembrar também que as condições serão bem diferentes daquelas encontradas no Pan-Americano e certamente serão muito mais difíceis. No Pan, por exemplo, os atletas foram selecionados pelo ranking após várias eliminatórias (cinco), independentes dos resultados alcançados. Nos Jogos, os critérios serão bem mais difíceis, devendo se atentar aos critérios da ISSF, por intermédio dos MQS e das “Quotas Place” a serem obtidas, concorrendo com os melhores atiradores mundiais, em difíceis e disputadas provas internacionais, que ocorrerão logo após os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Não podemos e nem devemos imaginar que não teremos atiradores brasileiros classificados para as provas dos Jogos de 2016 e que não possamos torcer pelos nossos atiradores. Para que isso não ocorra, os dirigentes da Confederação e das Federações deverão se organizar antes de qualquer decisão e trocar idéias. Infelizmente não temos presenciado o tão comentado “colégio” onde todos dirigentes participam e opinam sobre os problemas do Tiro Brasileiro. É fato também, que não possuímos representantes desportivos com maiores experiências com relação aos Jogos Olímpicos.

Convém lembrar que em gestões anteriores, como por exemplo, no período do Presidente Cel Sá Campello, ele e sua equipe se preocuparam com os juniores e as damas, realizando campeonatos específicos nacionais para essas duas categorias visando os Jogos Olímpicos de Barcelona, realizados em 1992. Naqueles Jogos, apenas dois atiradores conseguiram os índices da ISSF: Wilson Scheidemantel e Tânia Giansante, competindo em duas modalidades cada. De lá para cá a situação não mudou muito: em 1996 somente Jean Labatut se classificou; em 2000 não tivemos representantes; em 2004 apenas Rodrigo Bastos e em 2008 houve uma pequena melhora com Stênio Yamamoto e Júlio Almeida, competindo em três modalidades.

Estaremos torcendo para que os nossos atiradores voltem a subir no podium em 2016 e que o Brasil possa apresentar uma organização eficiente dos Jogos.



por Eduardo Ferreira
Recordista e campeão brasileiro de armas longas da CBTE e das Forças Armadas. Ex vice-presidente da CBTE e da federação do DF, ex presidente das federações do RJ e CE, e diretor das federações da PB e RS. Autor de "Arma Longa" e "História do Tiro"
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