Eduardo Ferreira
(ferreiraedu@terra.com.br)

Tiro Brasileiro - 100 anos

Conhecido internacionalmente, o Tiro Esportivo é um dos esportes mais antigos e respeitado pelas principais entidades desportivas, sendo praticado por mais de 150 países e em todos os continentes. Suas principais características são: precisão, reflexo, concentração e alta técnica desenvolvida pelos atletas. No Brasil, o Tiro Esportivo irá completar no corrente ano, 100 anos de uma gloriosa e profícua existência.

A primeira entidade oficial surgida no país foi a CONFEDERAÇÃO DO TIRO BRASILEIRO, através do Decreto Nr 1503, de 5 de setembro de 1906, sob os auspícios do Exército Brasileiro, congregando inúmeras sociedades de tiro criadas em todo território nacional. A Confederação teve como primeira sede a cidade de Rio Grande.

Devido a sua importância, o Ministério da Guerra decidiu que a Confederação ficasse diretamente subordinada ao Estado-Maior do Exército, decorrente da forte vinculação do esporte com a instrução militar, inspirada no modelo suiço, onde cada cidadão deveria saber usar o seu fuzil em caso de ameaça ao seu território.

Na realidade, a Confederação ampliou e oficializou o projeto cívico do gaúcho Antônio Carlos Lopes, que em 1899 criou o Tiro Nacional, reunindo as sociedades de tiro do Rio Grande do Sul com o propósito de incrementar a prática do Tiro ao Alvo, como era chamado o esporte naquela época, e de coordenar as atividades das sociedades. Essas sociedades funcionavam tal qual os clubes modernos de tiro, com linhas de tiro e com atiradores filiados, civis e militares, disputando provas com armamento e munição militar cedido pelo Exército Brasileiro.

A idéia era criar novas sociedades, pelos menos uma em cada município, estimulando a prática do esporte, desenvolvendo e metodizando a instrução militar. O Exército se valia desta estratégia para aumentar o seu efetivo, na época com reduzido número. Ainda hoje encontramos unidades no interior do País, denominadas Tiro de Guerra, herdeiras das antigas sociedades de tiro.

Vários estímulos foram concedidos aos sócios civis, destacando-se o que lhes assegurava a isenção da metade do tempo de serviço militar.
Mais tarde, O Ministro da Guerra General Hermes da Fonseca, no Governo de Afonso Pena, transferiu a sede da Confederação para a capital Rio de Janeiro, instalando-a junto ao Ministério da Guerra.

A Confederação do Tiro Brasileiro existiu até 1923, quando foi fundada a Federação Brasileira de Tiro. Neste interregno a entidade promoveu inúmeros concursos nacionais de onde despontaram aqueles atiradores que iriam brilhar nos Jogos Olímpicos da Antuérpia em 1920, cumulando de glórias o nosso esporte.


por Eduardo Ferreira
Recordista e campeão brasileiro de armas longas da CBTE e das Forças Armadas. Ex vice-presidente da CBTE e da federação do DF, ex presidente das federações do RJ e CE, e diretor das federações da PB e RS. Autor de "Arma Longa" e "História do Tiro"
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